Pensamentos
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A Medicina do Riso: O Humor de Spurgeon

11 dez, 2015

Alguns anos atrás houve um caso documentado no British Medical Journal sobre um homem que ria muito de si mesmo. Ele realmente tinha uma doença terminal, e pelo emprego da terapia do riso, conseguiu que seu corpo lutasse com sucesso contra a doença. Embora possamos relutantemente reconhecer o mérito de tal caso, normalmente achamos tal incidente quase incrível. Pode o riso ser realmente bom para nós? A Bíblia definitivamente apoia uma ideia do tipo.

A Bíblia apoia o riso
O escritor de Eclesiastes afirmou: “Há tempo de chorar, e tempo de rir” (Eclesiastes 3.4). Nós sabemos que existem muitas razões para chorar. Só uma olhada casual em nosso mundo, com suas guerras, ódio, violência e mal – faz-nos tristes. Todos os dias vemos/ouvimos as notícias de terríveis contagens de pessoas feridas que ferem aos outros. Entristecemo-nos com tantas pessoas que estão vivendo em trevas e rejeitam a luz de Cristo. A extrema realidade do pecado em nosso mundo com certeza é grave.
Não é surpresa que muitos de nós, como líderes, possamos ser mais inclinados para a tristeza do que para a alegria. Dada a natureza e exigências da liderança cristã em um mundo cada vez mais desafiador, alguém poderia cinicamente assumir que os líderes parecem ter mais razão para serem sombrios do que alegres nestes dias. As pressões de nossas responsabilidades organizacionais, e o stress que as acompanham, podem nos levar para baixo. Administrar conflitos eclesiásticos, perder alguém especial, ver um casamento terminar, experimentar traição pessoal, encarar uma tragédia inesperada, tudo isso pode dar motivos para lágrimas.
Contra as épocas tristes, a Escritura também aconselha que há um tempo para rir. Os líderes precisam conhecer a equilibrada terapia do riso. Em busca deste objetivo, devemos nos entregar completamente às alegrias do ministério – celebrar momentos especiais com os membros, comemorar conquistas familiares, alegrar-se por alcançar alvos difíceis e saborear as bênçãos do crescimento espiritual. Mas estas experiências ainda podem falhar quanto ao pronunciamento bíblico a respeito do riso. Quando foi a última vez que você riu tanto que chorou? Ou que você riu até doer a barriga?

O grande senso de humor de Spurgeon
Muitos evangélicos conhecem bem o lado austero de C.H. Spurgeon e sua séria busca de uma vida santa. Certamente, sua firmeza quanto às causas corretas, e o confronto com erros doutrinários são frequentemente relatados. Muitos leitores podem não saber que ele era um homem com grande sensor de humor. Spurgeon conhecia o valor da risada e da diversão. Ele virtualmente colocou em seu coração a palavra de Provérbios 17.22: “O coração alegre é remédio eficiente”.
Spurgeon ria tanto quanto podia. Ele ria das ironias da vida, ria dos incidentes cômicos, ria de elementos engraçados da natureza. Ele ria algumas vezes de seus críticos. Ele adorava dividir suas piadas com os amigos e colegas de ministério. Ele era conhecido por contar histórias engraçadas do púlpito. William Williams, um pastor amigo que fazia companhia a ele, era um amigo próximo e querido nos últimos anos da vida de Spurgeon. Ele escreveu:
Que efervescente fonte de humor o Sr. Spurgeon tinha! Eu ri mais, realmente acredito, quando estive em sua companhia do que durante todo o resto de minha vida. Ele tinha o mais fascinante dom do riso... e ele tinha também uma habilidade ainda maior de fazer todos os seus ouvintes rirem com ele. Quando alguém o condenava por dizer coisas engraçadas em seus sermões, ele dizia ‘ele não me condenaria se ele apenas soubesse quantas delas eu escondi' [1]
Spurgeon considerava o humor como uma parte tão integral em seu ministério que um capítulo inteiro de sua autobiografia é dedicado a isto. Humor permeava os seus sermões e escritos, frequentemente costurados nos tecidos das suas mensagens. Esta é uma razão entre muitas do por que ele ainda é tão agradável de ler hoje em dia.

A terapia do riso
Spurgeon conhecia a bênção do tratamento de humor. Ele frequentemente falava de sua doença em termos humorísticos: “Estou tendo dores fortes”, ele escreveu a um amigo, “mas estou me recuperando. Apenas minhas costas estão quebradas, e preciso de uma nova vértebra” [2] . Uma vez, quando estava sentindo-se deprimido, ele falou do remédio do riso:
Outra tarde, eu estava caminhando para casa depois de um dia duro de trabalho. Eu me senti exausto e dolorosamente deprimido, quando de repente este texto veio a mim, ‘Minha graça é suficiente para ti'. Eu cheguei em casa e olhei no original, e finalmente isto veio a mim desta forma. ‘Minha graça é suficiente para TI'. E então eu disse ‘devo pensar que é, Senhor', e comecei a rir. Eu nunca entendi o que a risada santa de Abraão era até então. Pareceu tornar a incredulidade tão absurda... Oh irmãos, sejam grandes crentes. A pequena fé levará suas almas ao céu, mas a grande fé trará o céu às suas almas” [3]
Algumas vezes o humor de Spurgeon quase chegou ao cinismo – como na época em que estava envolvido na controvérsia da regeneração batismal. Quando lidou com os clérigos da Igreja da Inglaterra por causa da crença deles na regeneração batismal, Spurgeon instalou uma fonte batismal como um bebedouro para pássaros em seu quintal. Ele referiu-se a isso como “os espólios da guerra”. Embora o grande “Príncipe dos Pregadores” possa ter passado dos limites com esta, na maioria das vezes seu humor era equilibrado e apropriado.

Riso: uma atividade necessária
Rir é uma atividade importante na vida de um líder. É uma terapia muito necessária para cargos que são frequentemente atacados com o stress e as dificuldades do dia-a-dia. Certamente existe uma hora para ser sério, quando encaramos muitas situações duras em nossas vidas e ministérios. Porém, precisamos aprender como experimentar o alívio do riso. Parte do problema é que muitos de nós nos levamos muitíssimo a sério. Quando esquecemos que Deus tem um senso de humor, precisamos fazer com um líder sugeriu – dar uma olhada no espelho!
Spurgeon conhecia o valor do riso e do humor. Em tempos duros e tempos de doença, o humor era um meio de ele tratar com sua situação. Era um mecanismo eficiente para ele. Sempre existirão épocas de tristeza e alegria para o líder consciente. Porém, o líder que aprende a equilibrar os dois aprenderá a disciplina de empregar o riso e a alegria em sua vida. Isto pode fazer uma diferença muito grande no cumprimento e propósitos do seu serviço ao Senhor.

Larry J. Michael, PhD.

Fonte: Dr. Larry Michael é pastor sênior da Primeira Igreja Batista em Clanton, Alabama. Ele trabalha como professor adjunto no Beeson Divinity School em Birmingham, Alabama. Este artigo é uma adaptação do autor de seu livro, Spurgeon on Leadership , Kregel Publications, de 2003.

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A Palavra de Deus

2 dez, 2015

Deus é tão grande que não podemos conhecê-lo, a menos que ele se revele a nós. Ele é tão grande que não podemos vê-lo ou tocá-lo (1Tm. 6:16), e assim, ele se revela a nós como nosso Salvador e Pai por sua Palavra. Não devemos nos surpreender com isso, visto que o discurso é o principal meio de comunicação mesmo entre nós, que fomos criados à sua imagem. Todavia, que Deus fala aos homens é um milagre. É um milagre, em primeiro lugar, que o infinito e o eterno Deus falou de si mesmo e da sua glória em nosso discurso limitado e imperfeito e, todavia, tenha feito algo de si verdadeiramente conhecido a nós. É a Deus que conhecemos e com quem temos comunhão por meio de sua Palavra. Em segundo lugar, o falar de Deus aos homens é um milagre porque, assim como se dá com a linguagem humana, esse falar de Deus a nós é mais do que apenas um meio de comunicação. É o meio pelo qual temos comunhão com Deus, lhe conhecemos e amamos. Em terceiro lugar, a revelação de Deus de si mesmo por meio de sua Palavra é um milagre porque a Palavra não é mero som no ar, nem marcas sobre uma página, mas é viva e eterna (1Pe. 1:23). É uma palavra que não somente ouvimos e lemos, mas que toma uma forma visível e se torna uma revelação tangível do Deus vivo e invisível (1 João 1:1), de forma que embora Deus seja para sempre impossível de se ver, vemo-lo na pessoa de seu Filho, a Palavra feita carne.

Finalmente, a Palavra é um milagre porque é um ato da maior condescendência e misericórdia possível que Deus tenha falado conosco. Visto que caímos no pecado, não seria mais apropriado que ele se afastasse e se ocultasse de nós? Todavia, ele fala, e fala de paz.

Que Deus fala em misericórdia como nosso Pai e Salvador é possível somente por causa da relação inseparável entre a Palavra feita carne e a Palavra escrita, lida e pregada. Nem pode existir uma sem a outra. Somente através da Palavra escrita conhecemos a Palavra viva; não há outra possibilidade, não importa o que aqueles que falam de revelações diretas possam alegar. Nem é a Palavra escrita entendida e recebida, a menos que alguém também conheça e receba-a por meio daquela Palavra viva feita carne. Existem erros que precisam ser evitados dos dois lados aqui. Por um lado, devemos evitar falar de conhecer e crer em Cristo à parte das Escrituras, como se, agora que a Bíblia está completa, pudéssemos ter comunhão com ele, ouvi-lo e vê-lo à parte daquelas Escrituras. Por outro lado, nunca podemos esquecer que ler as Escrituras e não encontrar Cristo nelas (João 5:39, 40) é lê-las sem entendimento e em vão. Assim, nunca podemos duvidar ou esquecer essas Escrituras, visto que elas nos foram dadas em forma escrita e preservadas nessa forma por Deus, desde os tempos antigos. É por essas Escrituras somente que Deus agrada se fazer conhecido em e através do nosso Senhor Jesus Cristo. “São elas”, Jesus diz, “que de mim testificam” (v. 39).

Prestemos então a mais séria atenção às Escrituras (Hb. 2:1)

Rev. Ronald Hanko

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A santidade é o princípio-chave

24 nov, 2015

1. O plano das escrituras para a vida de um cristão é duplo: primeiro, que sejamos instruídos na lei para amar a retidão, porque por natureza, não estamos inclinados a fazê-lo; segundo, que aprendamos umas regras simples, porém importantes, de modo a não desfalecermos nem nos debilitarmos em nosso caminho.

Das muitas recomendações excelentes que a Escritura faz, não ha nenhuma melhor que este princípio: "Sede santos porque eu sou santo."

Quando andávamos espalhados como ovelhas sem pastor, e perdidos no labirinto do mundo, Cristo nos chamou e nos reuniu para que pudéssemos nos voltar a Ele.

2. Ao ouvir qualquer menção de nossa união mística com Cristo, deveríamos recordar que o único meio para desfrutá-la é a santidade. A santidade não é um mérito por meio do qual podemos obter a comunhão com Deus sem um dom de Cristo, o qual nos capacita para estarmos unidos a Ele e a segui-lo. É a própria glória de Deus que não pode ter nada a ver com a iniquidade e a impureza; portanto, se queremos prestar atenção à sua exortação, é imprescindível que tenhamos este princípio sempre presente.

Se no transcurso de nossa vida cristã queremos seguir vinculados aos princípios mundanos, para que então fomos resgatados da iniquidade e da contaminação deste mundo?

Se desejarmos pertencer a seu povo, a santidade do Senhor nos admoesta a que vivamos na Jerusalém santa de Deus.

Jerusalém é uma terra santa, portanto, não pode ser profanada por habitantes de conduta impura

O salmista disse: Jeová, quem habitará em teu tabernáculo? Quem morará em teu monte santo? O que anda em integridade, faz justiça e fala a verdade em seu coração." O santuário do altíssimo deve manter-se imaculado. Ver (Lev. 19.2; 1 Ped. 1.16; Is. 35.10; Sal. 15.1, 2 e 24.3, 4.)

A santidade significa obediência total a Cristo

1. A escritura não nos ensina somente o princípio da santidade, como também nos diz que Cristo é o caminho a este princípio.

Posto que o Pai nos tem reconciliado consigo mesmo por meio de Cristo, nos ordena que sejamos conformes à sua imagem.

Aqueles que pensam que os filósofos têm um sistema melhor de conduta, lhes pediria que nos mostrem um plano mais excelente que obedecer e seguir a Cristo. A virtude mais sublime de acordo com os filósofos é viver a vida de acordo com a natureza, porém a Escritura nos demonstra Cristo como nosso modelo e exemplo perfeito. Deveríamos exibir o caráter de Cristo em nossas vidas, pois o que pode ser mais efetivo para nosso testemunho e de mais valor para nós mesmos?

2. O senhor nos tem adotado para que sejamos Seus filhos sob a condição de que revelemos uma imitação de Cristo, que é o Mediador de nossa adoção. A menos que nos consagremos de maneira devota e ardente à justiça de Cristo, não só nos afastaremos de nosso Criador, como também estaremos renunciando voluntariamente ao nosso salvador.

3. A Escritura acompanha sua exortação com as promessas sobre as incontáveis bênçãos de Deus e o fato eterno e consumado da nossa salvação.

Portanto, posto que Deus tem revelado a si mesmo como Pai, se não nos comportarmos como seus filhos seremos culpados da ingratidão mais desprezível.

Posto que Cristo nos tem unido ao seu corpo como membros, deveríamos desejar fervorosamente não desagradá-lo em nada. Cristo, nosso cabeça, tem ascendido aos céus; por tanto deveríamos deixar para trás os desejos da carne e elevar nossos corações a Ele.

Posto que o Espírito Santo nos tem consagrado como templos de Deus, proponhamos a nós mesmos, em nossos corações, não profanar Seu santuário, antes manifestar Sua glória.

Tanto nossa alma como nosso corpo estão destinados a herdar uma coroa incorruptível. Devemos, então, manter ambos puros e sem mancha até o dia do nosso Senhor.

Estes são os melhores fundamentos para um código correto de conduta. Os filósofos nunca se elevam por sobre a dignidade natural do homem, porém, a Escritura aponta-nos nosso salvador sem mancha, Cristo Jesus.
Ver Rom. 6.4; 8.29.

João Calvino

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Como Deus é?

18 nov, 2015

Reconhecer que Deus existe é uma coisa, e reconhecê-Lo no sentido geral em que Deus nos fala na criação e por todas as páginas da Bíblia é outra. Mas nós precisamos saber mais. Como Deus é? A Bíblia nos dá muitas respostas claras e positivas a essa tremendamente importante questão. Aqui estão algumas delas.

Deus é pessoal. Deus não é uma 'coisa', poder, ou influência. Ele pensa, sente desejos e age de formas que mostram ser Ele um Ser pessoal vivo. Mas Ele não é apenas 'o homem lá de cima' ou algum tipo de 'super-homem'. O Senhor é o verdadeiro Deus; ele é o Deus vivo, o Rei eterno. (Jeremias 10:10)

Deus é um. Há somente um Deus verdadeiro. Ele diz, eu sou o primeiro e o último; fora de mim não há Deus (Isaías 44:6). Todavia, Deus se relevou como uma 'trindade' de três pessoas — o Pai, o Filho (Jesus Cristo) e o Espírito Santo, cada um dos quais é verdadeiramente, plenamente e igualmente Deus. A Bíblia fala da glória de Deus o Pai (Filipenses 2:11); ela diz que a Palavra (Jesus Cristo) era Deus (João 1:1); e fala do Senhor, que é o Espírito (2 Coríntios 3:18). Embora haja somente um Deus, há três pessoas na Deidade.

Deus é espírito. Ele não tem dimensões físicas. Ele não tem um corpo, nem Ele tem quaisquer características que possam ser definidas em termos de tamanho e forma. Deus é espírito, e seus adoradores devem adorá-Lo em espírito e em verdade (João 4:24). Isso significa que Deus é invisível. Ninguém jamais viu a Deus (João 1:18). Isso significa também que Ele não está confinado a um lugar no tempo, mas está por toda parte em todo o tempo: “Porventura, não encho eu os céus e a terra? — diz o Senhor” (Jeremias 23:24). Totalmente aparte de tudo mais, isso significa que Deus é plenamente consciente de tudo o que se passa em todos os lugares. Isso inclui não somente tudo que você faz ou diz, mas todos os pensamentos que passam por sua mente.

Deus é eterno. Deus não teve princípio. Nas palavras da Bíblia, “de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Salmos 90:2). Nunca houve tempo em que Deus não existisse e nunca existirá um tempo quando Ele não existirá. Deus descreve a si mesmo como aquele que é, e que era, e que há de vir (Apocalipse 1:8). Ele permanece eternamente o mesmo: Eu, o Senhor, não mudo (Malaquias 3:6). Tudo que o Deus era Ele ainda é e sempre será.

Deus é independente. Todos os outros seres viventes são dependentes de pessoas ou coisas, e ultimamente de Deus — mas Deus é totalmente independente de Sua criação. Ele sobrevive por Si mesmo. Ele não é servido por mãos humanas, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas (Atos 17:25).

Deus é santo. Ele é majestoso em santidade, terrível em glória (Êxodo 15:11). Não pode haver comparação com a santidade de Deus. Não há santo como o SENHOR (1 Samuel 2:2), que é absolutamente sem falta ou defeito. A Bíblia diz dEle: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar” (Habacuque 1:13). E esse Deus santo demanda santidade de cada um de nós. Seu mandamento para nós hoje é: “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pedro 1:16).

Deus é justo. A Bíblia diz que o Senhor é um Deus de justiça e que a retidão e a justiça são o fundamento do Seu trono (Isaías 30:18; Salmos 97:2). Deus não é apenas nosso Criador e Sustentador; Ele é também nosso Juiz recompensador e punidor, no tempo e na eternidade, com uma justiça que é perfeita e além de qualquer apelo ou disputa.

Deus é perfeito. Seu conhecimento é perfeito. Nada em toda criação está oculto das vistas de Deus. “Não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hebreus 4:13). Deus conhece tudo no passado, presente ou futuro, incluindo todos os nossos pensamentos, palavras ou atos. Sua sabedoria é perfeita e totalmente além do nosso entendimento. “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!” (Romanos 11:33).

Deus é soberano. Ele é o único e supremo governador do universo e nada, não importa o que, está fora do Seu controle. “Tudo o que o SENHOR quis, ele o fez, nos céus e na terra” (Salmos 135:6). Com Deus não há acidentes ou surpresas. Ele escreve toda a história do mundo e opera todas as coisas em conformidade com o propósito de Sua vontade (Efésios 1:11). Deus não precisa de conselho ou consentimento para algo que Ele escolha fazer. Nem pode alguém impedi-Lo de fazer o que Lhe agrada: “não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Daniel 4:35)

Deus é onipotente. Ele é todo-poderoso. Em suas próprias palavras, “Eu sou o Senhor, o Deus de toda a humanidade. Haveria alguma coisa difícil demais para mim?” (Jeremias 32:27). Isso não significa que Deus pode fazer tudo (Ele não pode mentir, ou mudar, ou cometer enganos, ou pecar, ou negar a si mesmo), mas significa que Ele pode fazer tudo o que deseja, e tudo o que Ele deseja sempre é consistente com o Seu caráter.

Esses são apenas breves esboços de algumas das coisas que Deus revelou na Bíblia sobre Sua própria natureza e caráter. Há outras verdades sobre Deus na Bíblia, embora haja muitas coisas sobre Ele que nós, possivelmente, não podemos entender. “Ele faz coisas grandes e inescrutáveis e maravilhas que não se podem contar” (Jó 5:9). Nesse sentido, o Todo-Poderoso está além do nosso alcance (Jó 37:23) e nenhuma quantidade de inteligência ou raciocínio humano pode mudar isso. Isso dificilmente deveria nos surpreender: se pudéssemos entender completamente a Deus, Ele seria indigno de nossa adoração.

John Blanchard

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Arte e Evangelho

11 nov, 2015

Nos Estados Unidos, tanto dentro como fora das igrejas, o Cristianismo tem muitos inimigos. Há os ateístas científicos e não-tão-científicos que têm uma tremenda influência na educação pública. Há os abortistas assassinos, e criminosos de todos os tipos. Mas nenhum desses é o assunto desse artigo. Dentro das igrejas, a neo-ortodoxia, mais neo do que ortodoxa, reduz a Bíblia ao nível das fábulas de Esopo. 1 Dentro da igreja há também outro grupo, alguns dos quais tem sido influenciados por Dooyeweerd e Rookmacher, alguns cujo pano de fundo é muito diverso para traçar, que desejam substituir o Evangelho pela arte. Talvez eles não sejam tecnicamente existencialistas, mas desprezam o intelecto e a verdade tanto quanto eles. As visões exatas dessas pessoas variam consideravelmente. Alguns vêem mais nas implicações do que outros. Visto que essa diversidade torna difícil falar desse grupo como um todo, o presente artigo selecionará um membro em particular. A seleção é defensível, pois o cavalheiro, Leland Ryken, editou e escreveu um prefácio para uma antologia intitulada The Christian Imagination [A Imaginação Cristã] (Baker Book House, 1981). Considere agora essa citação extraída do prefácio:

A imaginação é o que nos capacita produzir e desfrutar das artes… A imaginação é um modo pela qual conhecemos a verdade. Pois verdade, incluindo verdade religiosa, não é província somente da razão ou do intelecto. Por exemplo, uma pessoa pode experimentar a verdade sobre Deus e a salvação enquanto ouvindo o Messias de Handel. Mas como? Não primariamente através da razão, mas através dos sentidos (ouvir), emoções, e a combinação da mente, sentidos e emoções, o que eu chamo de imaginação. Um pastor amigo meu... soube primeiramente que Jesus levantou da sepultura... não durante o sermão, mas com o som das trombetas que concluíram o serviço [uma manhã de Páscoa]... Certamente, não com o intelecto, mas com os sentidos... A verdade, repito, não nos vem somente através da razão e do intelecto. Considere a forma como a verdade nos vem na Bíblia. Se você perguntar a um adulto de classe de Escola Dominical que assuntos são abordados nos Salmos do Antigo Testamento, a lista se parecia com algo como isso: Deus, providência, culpa,... Tal lista se inclina decididamente para o abstrato... Mas considere uma lista igualmente válida de assuntos... cães, mel, grama, trovão, ...Ela toca nossas emoções de uma forma muito mais vívida do que a primeira lista o faz. Na Bíblia a verdade não se dirige somente ao intelecto racional... O Messias de Handel é tão importante para nós quanto um sermão de Natal.

Porque as idéias expressas nesses parágrafos atraem a aderência de muitos que professam o Cristianismo, elas deveriam ser analisadas com cuidado. Uma boa coisa pode ser dita: O autor tenta definir seu termo imaginação: isto é o que nos capacita desfrutar das artes. Mais tarde ele define isso de uma maneira mais explícita como a combinação da mente, sentidos e emoções. Que nenhum filósofo importante jamais usou o termo nesse sentido é irrelevante, pois todo autor tem o direito de definir seus termos como lhe apraz. Ele deve, contudo, aderir à sua própria definição, e a definição deve se ajustar ao desenvolvimento do assunto. Todavia, embora a definição declarada inclua a mente, o teor geral da passagem é hostil à mente. Além do mais, se imaginação é o complexo de todos esses fatores, incluindo a mente, o que o autor pode querer dizer ao afirmar que a imaginação é um modo pela qual conhecemos a verdade? Qual outro modo pode existir? A definição como dada inclui a consciência inteira da pessoa. Ela falha em distinguir imaginação de qualquer outra ação consciente. Sem usar a mente, sensações ou emoções de uma pessoa, quais verdades poderiam possivelmente ser aprendidas, e qual seria o processo de aprendizagem? A definição é tão abrangente que ela é absolutamente inútil, não distinguindo entre quaisquer dois métodos de aprendizado. Por causa dessa vacuidade, porque o autor obviamente deseja encontrar pelo menos dois caminhos para a verdade – um sem o intelecto – e por causa da última sentença na citação, parece que o autor deseja aprender algumas coisas através das emoções somente.

Uma pessoa deve perguntar se o desfrutar das artes depende ou não mais da mente do que das emoções. Críticos da pintura examinam a obra, avaliam a relação entre as áreas iluminadas e escuras (e.g., o desenho de Rembrandt do mendigo, sua filha, seu bebê e o dono da casa), e analisam a composição. A composição requer um pensamento cuidadoso, tanto por parte do artista como do crítico. Tais análises são intelectuais, não emocionais; e eu posso dificilmente imaginar que a pintura de Rembrandt levante muita emoção em alguém. Se o biógrafo de Leonardo da Vinci tivesse os fatos corretos de sua vida, pareceria que esse príncipe dos pintores era completamente não-emocional; ou, se não completamente, sua emoção era uma de ira contínua. Então também, o livro de Milton Nahm sobre The Aesthetic Response [A Resposta Estética] distingue isso de emoção.

Contudo, estética não é a dificuldade principal com a passagem citada, nem é de grande importância para o Cristianismo. Uma dificuldade muito mais séria é a visão do autor sobre a verdade. Talvez ele não tenha nenhuma visão sobre a verdade, pelo menos nenhuma visão clara, mas ele certamente parece falar sobre dois tipos de verdade. Ele diz: “A verdade religiosa não é província somente da razão ou do intelecto”. Presumivelmente as verdades da física e zoologia são verdades da razão. Até mesmo isso é duvidoso, pois ele diz que a verdade – presumivelmente toda verdade, e, portanto, verdades religiosas também, mas também as leis da física – não é apenas intelectual. Com certeza muitos físicos não concordariam, e seria interessante ver como Ryken responderia à negação deles. Nosso problema aqui é descobrir o que ele quer dizer por verdade. Declarações, proposições, predicados anexos aos assuntos são verdadeiros (ou falsos). Mas como poderia uma cena noturna ou uma das esculturas de Rodin serem verdade? A escultura poderia lembrar seu modelo, e a proposição “a escultura lembra seu modelo” seria uma verdade; mas como poderia uma estátua de bronze ou de mármore ser uma verdade? Somente proposições podem ser verdades. Se eu meramente pronuncio uma palavra – gato, faculdade, colagem – ela não é nem verdadeira nem falsa: ela não diz nada. Mas se eu digo “o gato é preto” ou “a colagem é abominável”, eu falo a verdade (ou falsidade, conforme for o caso). Mas gato, por si só e sem contexto, não é nem verdadeiro nem falso. Observe que os Salmos, com os quais o autor tentar usar como um apoio, não dizem simplesmente cães, mel, grama e trovão: eles dizem que a grama seca, o mel é doce, e assim por diante, todas as quais são proposições. E se as palavras grama e trovão tocam a emoção de uma pessoa “muito mais vividamente” do que as palavras Deus e culpa, há algo radicalmente errado com as emoções dessa pessoa. Melhor não ter nenhuma emoção. Emoções são difíceis de controlar; elas não são apenas agonizantes para a pessoa que as possui, mas são também desconcertantes para os seus amigos.

Se a estética peculiar do autor é relativamente sem importância, e se sua visão não definida de verdade é uma falha mais séria, as implicações de tal visão defeituosa da verdade são desastrosas para a pregação do Evangelho.

É indubitavelmente verdade que “uma pessoa pode experimentar a verdade sobre Deus e a salvação enquanto ouvindo o Messias de Handel”. A razão é que O Messias usa as palavras da Escritura. Certamente, uma pessoa pode ter a experiência de tédio, ou uma idéia brilhante sobre investigação policial, ou uma decisão quanto a qual restaurante ele levará sua namorada mais tarde, enquanto ouvindo O Messias. Mas se alguém tem pensamentos sobre Deus e a salvação enquanto e por causa do oratório, eles vêm por razão das palavras da Escritura. A música adiciona pouco ou nada. De fato, a razão pela qual muitas pessoas não têm pensamentos sobre Deus enquanto ouvindo algo, é que a música as distrai.

O uso da palavra enquanto é um artifício de propaganda: literalmente a sentença é verdadeira, mas o escritor quer dizer algo mais. Afortunadamente, após induzir uma resposta favorável da parte do leitor através da palavra enquanto, ele realmente diz o que ele quer dizer, duas vezes. Primeiro, um pastor creu primeiramente que Jesus ressuscitou dentre os mortos, não durante um sermão que lhe disse isso, mas com (certamente, com é ambíguo também) o som da banda de encerramento. De qualquer forma, o pastor não creu na ressurreição com sua mente ou intelecto. Ele sentiu isso. Alguém poderia concordar que ele sentiu o barulho das trombetas; mas como alguém pode sentir hoje a ressurreição de Cristo? Isso é totalmente sem sentido, e a linha final da citação mostra um ponto de vista totalmente anti-cristão.

Ele diz: “O Messias de Handel é tão importante para nós quanto um sermão de Natal”. Naturalmente, se o sermão de Natal numa igreja liberal se centra em Papai Noel, e não na encarnação da Segunda Pessoa da Trindade, a música de Handel pode ser tão importante quanto ele, sendo a importância similar aproximadamente zero. Mas certamente o escritor quer dizer que a música é tão importante quanto as palavras. Se isso fosse assim, não haveria nenhuma necessidade de pregar o Evangelho e exigir que as pessoas cressem nas boas novas.

Mas a arte não é um substituto para a informação do Evangelho. No Clowes Hall, na Universidade de Butler, em Indianápolis, há uma tapeçaria gigantesca que descreve a pesca maravilhosa dos peixes. Ela é suposta ser uma grande obra de arte. Agora, numa certa ocasião, eu acompanhei um grupo de professores japoneses por todo o lugar, e um deles me perguntou: “Qual é a história?”. Nenhuma quantidade de apreciação artística poderia lhe dar a informação que a Bíblia fornece. Que Cristo era Deus e que ele operou milagres durante sua encarnação é entendido somente através do entendimento intelectual de palavras. Nem um sopro de trombetas ajudaria.

Se as visões do escritor estivessem corretas, a obra dos missionários seria enormemente mais fácil. Eles não teriam que aprender um idioma difícil. Eles simplesmente colocariam uma gravação de Handel e as conversões se seguiriam. Por que Paulo não pensou nisso? Não preguem o Evangelho, não dêem informação, apenas toquem alguma música! Pobre Paulo; ele disse: “A fé vem pelo ouvir a palavra de Deus”. Nenhuma tapeçaria, nenhuma escultura, nenhuma banda. Mas é Paulo quem define o que é o Cristianismo. Tudo o mais é algo mais.

Fonte: A Christian Philosophy of Education, Gordon H. Clark, Trinity Foundation, apêndice C (páginas 223-228).

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O Dom da Fé

01 nov, 2015

Nos púlpitos de muitas igrejas declarações como essa são freqüentemente ouvidas: “Deus fará todo o possível para nos encorajar a fazer a escolha correta.” Se isso é verdade, por que Deus decretou que muitos nunca ouvirão o evangelho? Por que ele “ordenou” eternamente que falsos mestres em muitas igrejas pregassem o falso evangelho (Judas 4)? Como isso irá encorajar as pessoas a crer? Por que Deus endureceu o coração de Faraó (Ex. 4:21), se desejava que ele se arrependesse? O que Paulo quis dizer quando escreveu, “[Deus] endurece a quem quer” (Rm. 9:18)? Por que Davi orou, “obscureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam” (Sl. 69:23)? Se Deus está fazendo tudo que pode para trazer todos à conversão, por que a Escritura declara, “Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir” (Rm. 11:8)? Se Deus está fazendo “todo o possível” para trazer todos à salvação, por que ele não elege todos e os chama irresistivelmente à fé? O deus que faz tudo o que pode e, todavia, fracassa, não é o Deus Todo-poderoso da Bíblia que “segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn. 4:35).

Deus opera a fé em seus eleitos somente mediante o seu Espírito Santo, como a Confissão de Westminster 14:1 declara: “A graça da fé, pela qual os eleitos são habilitados a crer para a salvação das suas almas, é a obra que o Espírito de Cristo faz nos corações deles”.

A vontade do homem natural é escrava de Satanás, que o faz cativo para cumprir a sua vontade (2 Tm. 2:26). Assim, “não há quem busque a Deus” (Rm. 3:11). Aos eleitos somente (Atos 13:48), “foi concedido, em relação a Cristo… crer nele” (Fp. 1:29, RC). Até mesmo a atividade da fé (“crer”) é um dom de Deus (“foi concedido”).

Os Cânones de Dordt, o credo Reformado composto por teólogos de vários países, apresenta o ensino bíblico sobre a fé como um dom (3/4:12). A fé é “o dom de Deus… isto não significa que Deus a oferece à livre vontade do homem”, nem “no sentido de que Deus apenas concede poder para crer e depois espera da livre vontade do homem o consentimento para crer ou o ato de crer”. Antes, fé é o dom de Deus porque “ela é, de fato, conferida ao homem e nele infundida”, e porque “Deus efetua no homem tanto a vontade de crer quanto o ato de crer. Ele opera tanto o querer como o realizar”.

Rev. Angus Stewart

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